sábado, 9 de outubro de 2010

Alianças do Passado - Parte 1


“Muitos dos que creram vieram confessando e denunciando publicamente as suas obras. Também muitos mágicos dos que haviam praticado artes mágicas, reunindo os seus livros, os queimaram diante de todos. Calculados os seus preços, achou-se que montavam a cinqüenta mil denários” (Atos 19:18,19)

Talvez o principal questionamento a se fazer aqui seria: Mas no ato da conversão as alianças com os antigos deuses e também todas as outras já mencionadas, não estariam automaticamente canceladas? Esta é uma pergunta séria, merecedora de uma resposta igualmente séria. Em minha experiência, eu não sei até que ponto, mas tenho visto muitos presos a pactos do passado, mesmo já genuinamente convertidos ao Senhor. Mas como isso é possível? Vamos discorrer neste momento sobre isso.

Não sei se está lembrado, mas já afirmei pelos menos por duas vezes neste livro, que os estudiosos afirmam que as alianças no mundo antigo tinham caráter irrevogável e permanente. Ou seja, quem as fizesse, precisaria cumpri-las. Coisa terrível, e que atrairia grandes conseqüências, seria alguém agir em desacordo com as alianças já estipuladas. Mas geralmente, os antigos consideravam a seriedade de um pacto e prezavam no cumprimento do mesmo. É por isso que Behm chega a afirmar, “Não há garantia mais firme de segurança legal, paz ou lealdade do que a aliança” . Isto quer dizer também que as pessoas envolvidas numa aliança podiam ter a segurança de que as partes envolvidas, por considerarem a seriedade do ato, cumpririam o que prometeram. Há inclusive uma palavra de Paulo quanto a isso, que sugere a mesma idéia embutida na aliança, “Irmãos, falo como homem. Ainda que uma aliança seja meramente humana, uma vez ratificada ninguém a revoga, ou lhe acrescenta alguma cousa” (Gálatas 3:14)

O nosso Deus sabendo que alianças prendem pessoas no mundo espiritual e igualmente podem colocá-las em contato com forças espirituais malignas, ordenou a Israel enfaticamente: Não façam alianças com os seus deuses, com estas nações, não estabeleçam matrimônio com os seus filhos....Mas o que aconteceria caso alguém firmasse estas alianças, em desobediência ao Senhor? Há um exemplo na Bíblia que pode muito bem ilustrar isto.

A Aliança entre Israel e os Gibeonitas
De alguma forma todos nós já escutamos esta história. Deus havia ordenado ao seu povo que quando entrasse em Canaã, não deveria firmar qualquer pacto ou aliança com aqueles habitantes. Ele estaria entregando cada nação nas mãos de Israel. Entretanto, os Gibeonitas, um povo manhoso que pertencia à descendência de Cão, arma uma estratégia astuciosa e conseguem enganar a todo o Israel. Indo até Josué, disseram, “chegamos de uma terra distante; fazei, pois, agora aliança conosco” (9:6). Diz o texto bíblico mais adiante que nem Josué e nem qualquer de Israel, foi até o Senhor para lhe pedir conselho. “Então os israelitas tomaram da provisão e não pediram conselho ao Senhor. Josué concedeu-lhes paz, e fez com eles a aliança de lhes conservar a vida; e os príncipes da congregação lhes prestaram juramento” (9:14,15). Sucedendo-se os fatos, ao cabo de três dias, foi descoberto que haviam feito uma aliança com um povo que estava incluso na lista daqueles a quem Deus dissera: Não façam com eles aliança! Agora, não podiam mais ser exterminados (pois havia uma aliança que lhes proibia isto), por isso teriam que cumprir o acordo estipulado. Que lástima!

O fato é que os anos vão se passando e Israel vai avançando e conquistando a terra que Deus lhes havia prometido. Passo a passo, Canaã foi sendo conquistada. Deus estava então cumprindo aquilo que havia prometido. Quando após Israel possuir uma grande quantidade de terras e consumir com diversos povos inimigos, Josué já estava bem avançado em sua idade. Nos capítulos 23 e 24, lemos as suas últimas palavras. Após uma longa exortação, Josué conclama Israel a renovar sua aliança com Deus. Veja parte do seu discurso,

“Agora, pois, temei ao Senhor, e servi-o com integridade e com fidelidade; deitai fora os deuses aos quais serviram vossos pais além do Eufrates e no Egito, e servi ao Senhor. Porém, se vos parece mal servir ao Senhor, escolhei hoje a quem sirvais: se aos deuses a quem serviram vossos pais, que estavam dalém do Eufrates, ou aos deuses dos amorreus, em cuja terra habitais. Eu e a minha casa serviremos ao Senhor” (24:14,15)

Lemos mais adiante que todos aqueles que ouviram a palavra de Josué, quebrantaram-se e decidiram firmar mais ainda seu compromisso com o Senhor Deus. Prometeram que estariam observando as leis e os mandamentos. Veja isso no texto abaixo,

“...Então disse o povo a Josué: Não, antes serviremos ao Senhor. Josué disse ao povo: Sois testemunhas contra vós mesmos de que escolhestes ao Senhor, para o servir. E disseram: Nós o somos. Deitai, pois, agora, fora os deuses estranhos que há no meio de vós, e inclinai o vosso coração ao Senhor Deus de Israel. Disse o povo a Josué: Ao Senhor nosso Deus serviremos, e obedeceremos à sua voz. Assim, naquele dia, fez Josué aliança com o povo, e lha pôs por estatuto em Siquém” (24:21-25)

O que Israel fez aqui foi uma aliança com Deus, de fidelidade a Ele, em todas as circunstâncias. Abandonaram imagens dos antigos deuses, se arrependeram de seus pecados e decidiram seguir integralmente o Deus de Josué. Aqui houve mesmo uma ‘renovação de aliança’. O ponto onde eu gostaria de chegar é exatamente este: Você acha que com esta atitude de arrependimento e também com a renovação da aliança feita com Deus, automaticamente, o pacto com os gibeonitas no passado, foi anulado? Israel ficou livre desta aliança? Se você conhece o resto da história, responderá que não. Mais a frente veremos os prejuízos desta aliança com os gibeonitas.

Após a liderança de Josué, veio o período dos juízes (cerca de 300 anos ao todo). Depois disto vem a monarquia, quando então Saul é eleito como o primeiro rei da nação. O que aconteceu é que Saul em um de seus ataques contra os povos, se sabia ou não da aliança não temos informações, desfechou um forte ataque contra os Gibeonitas, exterminando com muitos deles. Mais adiante, após Davi suceder Saul no reino, houve um período de grande seca e esterilidade sobre Israel. Davi foi consultar ao Senhor, e veja a resposta que Deus lhe deu acerca do problema,

"Houve em dias de Davi uma fome de três anos consecutivos. Davi consultou o Senhor, e o Senhor lhe disse: Há culpa de sangue sobre Saul e sobre a sua casa, porque ele matou os gibeonitas” (2 Samuel 21:1)

Em outras palavras, Deus está dizendo a Davi: Lembra-se daquela aliança que Israel fez com os gibeonitas onde prometeram preservar-lhe a vida? Pois bem, Saul quebrou esta aliança...Por isso há culpa de sangue sobre Israel. Com isso ficamos a imaginar a extensão e a força espiritual de uma aliança. Este pacto com os gibeonitas havia sido feito há mais de 300 anos atrás e ainda assim estava trazendo prejuízos sobre a nação.Mas o que mais me impressiona também é o fato de que como vimos, Israel no fim da vida de Josué, renovou sua aliança com Deus, se arrependeram, e ainda assim, esta aliança passada permaneceu...Por que isso acontece?

Se pensarmos no nosso contexto atual, podemos fazer afirmações semelhantes. Nossa teologia sempre nos ensinou que quando alguém vem a Cristo, se porventura realizou no passado pactos espirituais dos mais diversos, no momento em que se converte, renovando (ou fazendo) assim sua aliança com Deus, tais coisas são automaticamente anuladas. Não é assim que pensamos? Mas porque com Israel as coisas não foram desta forma? Este povo que desobedeceu ao Senhor, logo em seguida não havia realizado um novo pacto com Deus? Isto por si só não quebraria as alianças passadas com os gibeonitas? A história mostra-nos que não. Deus lhes disse: vocês estão presos a uma aliança do passado!

Veja a pergunta de Davi aos Gibeonitas sobreviventes, “Que quereis que eu vos faça? E que resgate vos darei, para que abençoeis a herança do Senhor?” (v.3). Que coisa maravilhosa sabermos que o nosso resgate já foi feito, quando Jesus Cristo veio e se entregou por nós. Com isso, estas alianças espirituais do passado podem ser quebradas totalmente. Mas somente pelo sangue de Jesus!

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